quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O resultado da expectativa


-A certeza do sucesso é a irrefutabilidade de uma decepção-



Fonte: http://www.outramedicina.com
Tão reconfortante nos parece quando, num momento de pressão, dúvida ou medo, recebemos o positivo apoio dos nossos amigos e familiares, colocando gratificantes palavras no enunciado que defende a coragem, a positividade e toda a nossa irreparável capacidade, como maneira franca - e por vezes cínica e quimérica - de nos impulsionar à conquista, frente a derrocada de um desastre.

Porém, não é positivo tornar lúdica uma falsa confiança como forma de preencher de coragem maquiando falsa vitória, àquele que treme e sugere o receio pela derrota. Sempre será mais digno e sugerido para todos que buscam ser corretos, manter a cautela de sua análise e comentários, valorizando reais características positivas, sem desperdício da verdade, porém, mantendo presumida a verdade e a reação sob possível derrota a qualquer embate. Sabemos que não existe gosto acre na vitória, doce e aveludada, como também, não haverá possibilidade de cair sobre a derrota quando se está com os pés na ilusória vitória, deixando mais alta e dolorosa a queda na realidade, quando se verifica que jamais houvera possibilidade real de realização do que se mostrava imaginariamente certo e de acordo com nossas expectativas.

Expectativa: a vilã sob qualquer possibilidade de encontro com a realidade, quando a expectativa ultrapassa em muito o que os fatos e as ocorrências do acaso podem somatizar aos resultados, temos então, a amarga decepção que destrói as ligações cerebrais que mantinham uma ideia fixa - a vitória - e depois de informações de neurotransmissores (Glutamato e GABA), evento raro que não está ligado ao humor, encontramos a tal decepção e, sabemos, que, descargas constantes destes neurotransmissores - ou ocorrências de decepções consequentes, temos como resultado um quadro de depressão, onde o indivíduo não mais quer crer - e nem tentar - disputar pelo medo do sentimento da decepção, encolhendo-se à bolha do seu amedrontamento. (Vide que não se trata de uma visão técnica, portanto não coloque minhas conclusões no seu trabalho!).

Muito melhor seria apenas a dopamina e a serotonina, responsáveis pelo humor! Muito melhor seria se pudéssemos ser mais felizes, termos vitórias, conquistas, termos do que nos orgulharmos pelas nossas ações e esforços. Todos buscamos evitar o sofrimento, buscando incessantemente a felicidade e o prazer, a nos sentirmos bem pela incapacidade de lidarmos com decepções, dores, correções que são evitadas em nossa rotina, porém, considero sadio aprender a lidar com estes sentimentos, não que vamos exercitar a decepção apostando sempre no pior cavalo, mas, ousar mais, disputar e sentir o sabor da vida e suas emoções.

Fugir da realidade, da nossa disputa diária de vida, não vale pelo acordar e dormir, viver a neutralidade, sem ácido e sem base, sem qualquer movimento que seja ousado e autêntico, é chato como chuchu sem sal, como chupar uma bala com o plástico, enfim... todos os demais exemplos que bem conhecemos do que não nos traz riscos, porém não completa a nossa felicidade e nossa expectativa. Como não amar devido ao medo do sofrimento e uma possível dor da separação e da decepção? Não, não é aceitável, melhor amar e sofrer, contar e escrever essa história no livro de seus consecutivos dias, sem arrependimento e com o gosto do espetáculo completo e valorizado pela capacidade de emocionar-se.


Viva, sem medo!




Abstrato.








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